Decidi mudar de casa e esta semana
encontrei o que procurava. Quando fui levar o Ari Bernardo à escolinha no outro
dia contei a novidade.
- E adivinha pé de que tem lá? –
Perguntei.
- Não sei – ele respondeu.
- Pé de chuchu.
- Igual a mim, mamãe? (Ele riu, pois é uma
das denominações que dou a ele).
- Sim, só que é de comer. E sabe o que mais? Tem
um pé de maracujá.
- Huumm. Não tem de pitanga?
- Não, não tem pitanga. – Fiquei pensando
de onde ele tirara a idéia, e meio decepcionada repeti pra mim mesma – não tem pitanga.
Vocês não vão acreditar. As 14h deste
mesmo dia iniciei meu programa na rádio e em homenagem ao dia do meio ambiente
entrevistei duas autoridades de Baln. Arroio do Silva, organizadores de eventos
comemorativos ao dia. Eles me trouxeram um presente... Adivinhem o que eles me
trouxeram?
Um pé de pitanga.
****************
Esta noite acordei para trocar a fralda
noturna do Ari Bernardo (sim, ele ainda faz xixi na cama aos 4 anos... alguém tem
solução?)
Bem, o fato é que enquanto o trocava me
veio à mente quando eu brincava de bebezão, lembram dos bebezões? A mamãe comprou
um menino e uma menina para minha irmã e para mim, mas nenhuma de nós queria a
menina. Hoje é interessante lembrar que ambas tivemos filhos homens. (ah, na época
eu fiquei com a menina, porque era a mais velha e tinha que entender e
blábláblá.)
Bem, lembrei da sensação da brincadeira,
do cuidado, do carinho com aquele ser de plástico e tecido. Não sei se somos
mães porque brincamos de boneca quando pequenas, ou se brincamos de bonecas porque
somos mães.
Olhando meu bebezão de carne, ossos e
outras substâncias invisíveis aos olhos, vi que dormia totalmente certo de que
eu sabia o que estava fazendo. Seguro do meu carinho, amor e responsabilidade,
certo de que eu seria incapaz de fazer-lhe mal. E eu com mais certeza ainda
disto tudo. Olhei pra ele e senti as 999 trilhões de vezes que o amava a mais
do que meu bebezão da infância. Não pude deixar de viajar naquele sentimento me
permitindo voltar aos meus 10 ou 11 anos (no meu tempo a gente brincava nesta
idade) e olhar pro meu bebezão real.
Nossa, é muito forte. Ri sozinha e
confesso que atrapalhei o soninho dele dando dezenas de beijinhos.
Ao acordar hoje pela manhã ele me abraçou
e disse:
-
Mamãe, vamos acordar?
-
Sim, meu amor!
-
Mamãe...
- Fala,
meu pintinho (ele tem mais umas 648 denominações).
-
Eu te amo. – ele me
disse.
Adorava meu bebezão e ele nunca me disse
nada... imagina o que sinto por este.
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