domingo, 8 de junho de 2014

Ontem e Hoje

      Decidi mudar de casa e esta semana encontrei o que procurava. Quando fui levar o Ari Bernardo à escolinha no outro dia contei a novidade.
- E adivinha pé de que tem lá? – Perguntei.
- Não sei – ele respondeu.
- Pé de chuchu.
- Igual a mim, mamãe? (Ele riu, pois é uma das denominações que dou a ele).
- Sim, só que é de comer. E sabe o que mais? Tem um pé de maracujá.
- Huumm. Não tem de pitanga?
- Não, não tem pitanga. – Fiquei pensando de onde ele tirara a idéia, e meio decepcionada repeti pra mim mesma – não tem pitanga.
      Vocês não vão acreditar. As 14h deste mesmo dia iniciei meu programa na rádio e em homenagem ao dia do meio ambiente entrevistei duas autoridades de Baln. Arroio do Silva, organizadores de eventos comemorativos ao dia. Eles me trouxeram um presente... Adivinhem o que eles me trouxeram?
      Um pé de pitanga.

****************

      Esta noite acordei para trocar a fralda noturna do Ari Bernardo (sim, ele ainda faz xixi na cama aos 4 anos... alguém tem solução?)
      Bem, o fato é que enquanto o trocava me veio à mente quando eu brincava de bebezão, lembram dos bebezões? A mamãe comprou um menino e uma menina para minha irmã e para mim, mas nenhuma de nós queria a menina. Hoje é interessante lembrar que ambas tivemos filhos homens. (ah, na época eu fiquei com a menina, porque era a mais velha e tinha que entender e blábláblá.)
      Bem, lembrei da sensação da brincadeira, do cuidado, do carinho com aquele ser de plástico e tecido. Não sei se somos mães porque brincamos de boneca quando pequenas, ou se brincamos de bonecas porque somos mães.
      Olhando meu bebezão de carne, ossos e outras substâncias invisíveis aos olhos, vi que dormia totalmente certo de que eu sabia o que estava fazendo. Seguro do meu carinho, amor e responsabilidade, certo de que eu seria incapaz de fazer-lhe mal. E eu com mais certeza ainda disto tudo. Olhei pra ele e senti as 999 trilhões de vezes que o amava a mais do que meu bebezão da infância. Não pude deixar de viajar naquele sentimento me permitindo voltar aos meus 10 ou 11 anos (no meu tempo a gente brincava nesta idade) e olhar pro meu bebezão real.
      Nossa, é muito forte. Ri sozinha e confesso que atrapalhei o soninho dele dando dezenas de beijinhos.
      Ao acordar hoje pela manhã ele me abraçou e disse:
      - Mamãe, vamos acordar?
      - Sim, meu amor!
      - Mamãe...
      - Fala, meu pintinho (ele tem mais umas 648 denominações).
      - Eu te amo. – ele me disse.
      Adorava meu bebezão e ele nunca me disse nada... imagina o que sinto por este.
     



Nenhum comentário:

Postar um comentário