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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Papai Noel existe?



E todo ano em Dezembro o bom velhinho vem....entregar os presentes de Natal para as crianças. Geralmente as crianças que ja escrevem costumam fazer sua cartinha de pedidos ao Papai Noel, na fantasia de que ele trará os presentes no dia 25.
Até aí tudo certo, mas quando é o momento dela descobrir a verdade?
Seu filho está crescendo... Até quando deixá- lo acreditar? Devemos contar a verdade? O que fazer com o irmão mais novo?
Essas são perguntas que nos fazemos quando chega a época do Natal. A cidade está enfeitada. Papai noel por todo o lado...
Acreditar em Papai noel, coelho da Páscoa e outros personagens faz parte da infância e é saudável. Não depende de religião ou crenças. Através das fantasias a criança conhece e constrói seus próprios valores, tornando- se uma adulto mais criativo e otimista. 
Não existe idade para contar a verdade. E não devemos fazer por nós mesmos. Cedo ou tarde, algum amigo mais velho irá contar, mesmo que em tom de brincadeira, e assim acabará a magia. Isso geralmente ocorre entre 7 e 8 anos.
Deixe que ele pergunte e, se ele se mostrar pronto, conte a verdade. Não há problema se a criança descobrir precocemente que tudo não passa de fantasia. Mas, às vezes, pode acontecer de alguma criança sentir-se frustrada com a descoberta da fantasia, e isso é normal. Neste caso, os pais devem acolher esse sentimento e explicar que o Papai Noel pode existir para sempre na nossa imaginação, mas que o papai e a mamãe serão as pessoas que comprarão e darão os presentes nos próximos Natais.
Deixar um filho acreditar, é deixá-lo sonhar com coisas possíveis e impossíveis. Com imaginação a criança enfrenta melhor a vida e também os seus medos.
Mas e meu irmão? Posso contar para ele?
Que tal explicar que ele é pequeno, que ainda acredita e que deixaremos ele também descobrir sozinho? Pode ser um segredo entre vocês.
Todos nós um dia acreditamos em Papai Noel e provavelmente lembramos do dia que descobrimos que ele não existia. Eu me lembro!
Deixar um filho acreditar, é deixá-lo sonhar com coisas possíveis e impossíveis. É com muita imaginação que a criança enfrenta a vida e também os seus medos.
Não devemos ter pressa em fazê-los acordar…
E viva a fantasia de ser criança!!!
Abraços
Michele Valeska

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

MEU ANJO

      Não posso dizer que sempre fui tranquila quanto ao que o Ari Bernardo entenderia por ser adotado.
      Ele é o filho mais maravilhoso e incrível que eu jamais poderia imaginar. Quanto a mim, não ser mãe biológica dele não interfere em absolutamente nada no meu amor, responsabilidade, educação e tudo que uma mãe tem de ligação com um filho.
      Mas não sabia o que se passava ela cabeçinha dele. Não sabia, agora sei.
      Também sei que esta compreensão vai se modificar com o tempo e que novos sentimentos podem nascer, mas por hoje sei o que ele internalizou.
      Na escolinha fui chamada à Direção “Poxa, este guri só tem quatro anos!” Foi o que pensei em princípio.
      A diretora disse “Nem imaginas o que teu filho aprontou ontem...”
      “Ai” - pensei. “Pode falar” – falei.
      “Ele fez todo mundo chorar.”
      “Ai, ai...”
      Na hora do conto, varias turmas são reunidas e neste dia a contadora falava de um cavalinho que não tinha nascido da barriga da mãe e foi aí que entrou meu filho. Ele levantou espontaneamente a mãozinha e disse:
      “Eu também não nasci da barriga da minha mãe, nasci do coração dela. E eu amo muito a minha mãe.”
      A diretora disse que todas as professoras choravam, assim como eu estava chorando ao ouvir a história. Ele deu uma pequena palestra sobre ser adotado e finalizou:
      “Eu não nasci da barriga dela, eu sou um anjo e vim direto do céu.”
      Minhas lágrimas escorriam enquanto ela me contava. Meu coração apertado de alegria, alívio e orgulho. Sempre tratei deste assunto com ele, mas não sabia o que tinha absorvido. A diretora me falou da maturidade e tranquilidade dele com relação ao tema.
      Para o Ari Bernardo, o que o torna diferente das outras crianças e poderia deixá-lo diminuído, provocou inclusive reação inversa, certa vaidade por ser “especial.”
      Não sei qual será a próxima fase. Mas fiquei muito feliz de saber que ele se acha especial – e ele é.
      É um ser iluminado e especial.
      Grandioso como o amor que tenho por ele.


sexta-feira, 25 de julho de 2014

DEIXANDO O BICO.

      Aos quatro anos e quatro meses o Ari Bernardo deixa o bico.
      Este é o primeiro desafio de desapego dele, por isso sei que não posso forçá-lo, mas posso incentivá-lo.
      Um presente (um monstro horrível) foi sua motivação. Há duas semanas ele não chupa bico. Pensei que a abstinência seria mais difícil, mas vi meu pequeno mostrar resistência e perseverança.
      Deixar o bico também foi um exercício de honra. Ele aprendeu o significado de promessa. Deu sua palavra que não voltaria atrás e somente após repetir várias vezes que preteria o bico ao monstro concordei com a troca. Fazê-lo prometer algo que sentia pouco provável que pudesse cumprir daria uma lição errônea à situação. Tudo tem sua hora.
      Assim nascem os valores, aqueles que a gente aprende em casa e põe em risco na rua. Aqueles que fazem os pais reverem suas ações, reações e omissões ao assumirem o papel fundamental de ser exemplo. De cobrar o que é capaz de dar.
      Agora quando ele quer saber algo do qual não quer ter dúvida pergunta:
      - Promete, mamãe!
      E eu prometo, mas só prometo o que posso cumprir, foi o que pedi a ele e é o que devo dar em troca.


sexta-feira, 11 de julho de 2014

Minha história: como me tornei mãe

A minha história é diferente porque eu não conseguia engravidar. Estava a 5 anos sem usar pilula. Eu tinha menstruações irregulares, ovários policísticos, obesidade....enfim tudo contribuía para que não engravidasse. Os médicos diziam que eu tinha que emagrecer para ovular direito e engravidar, então parecia que tinham tantas barreiras...
Decidi emagrecer e foi o que fiz, emagreci 30 kg que conto em outro post e procurei ajuda de um especialista em infertilidade. Era final do ano e eu lembro que tive que tomar um mês de pilula antes de começar o tratamento para engravidar. Fiz muitos exames antes disso. E no dia 15 de Janeiro de 2005 eu fiz inseminação artificial, lembro que o médico disse que tinham 6 óvulos maduros, fiquei com medo de engravidar de gêmeos, trigêmeos...
Bom, naquela noite fiquei muito ansiosa, porque imaginava que tinha 50% de chances de estar grávida. Tinha que esperar 15 dias para fazer o BHCG, quanta ansiedade!
E chegou o grande dia do exame....fui no laboratório e aguardei o medico me ligar. Então era de tarde e o telefone tocou...o medico disse: Você está gravidíssima!
Foi muita emoção, chorei de felicidade.



E apartir desse dia não fui mais a mesma pessoa, eu me transformava a cada dia na mãe que iria ser. Foi uma gestação difícil porque tive alguns problemas como ameaça de aborto e pré-eclampsia, mas tudo valeu a pena. Hoje tenho a minha filha linda Anna Dora com 8 anos e saudável.



Então quero incentivar as mulheres que tem dificuldade em engravidar a lutar pelo seu sonho. Não desistam. A maior realização de uma mulher é a maternidade, sem falar do amor indescritível que é SER MÃE.



Beijinhos
Michele Valeska

sexta-feira, 20 de junho de 2014

MÚSICAS DE NINAR



      Desde muito pequeno o Ari Bernardo ouve canções de ninar. Em momentos como o pós banho, o soninho ou o despertar eu colocava cd´s para ele ouvir. De clássicos eruditos como Mozart e Vivaldi para bebês, até os clássicos do Pop/Rock: The Cure, U2 e Madonna instrumentais. Há uma série de músicas de muitas bandas que passaram por uma releitura adaptando-as às canções de ninar.
      Depois passei eu mesma a cantar antes dele dormir. E foram nestes momentos que relembrei minha infância, ri e me emocionei sozinha ao “desentocar” minhas memórias musicais.  Ri muito ao decifrar lentamente algumas palavras e frases que na minha infância faziam algum sentido, mas que cantadas novamente eram totalmente sem nexo. Descobri letras e palavras que nasciam de outra forma, após tantos anos. Também me emocionei relembrando as músicas que mamãe cantava para nós. E daí fui para os clássicos da família, uma coleção de canções de raiz – raízes de nossa árvore genealógica. Nesta fase cantei muito o hino nacional... E o hino do Grêmio, of course! Além de Menino da Porteira e músicas religiosas.
      Tive também minha fase compositora. Sempre em rimas, algumas forçadas e muitas próprias somente para quem não detém toda a compreensão da linguagem falada. Mas nesta fase cantei muito o que sentia por ele, o que via nele, a história dele e de nossa família ou apenas rimas engraçadas e divertidas. Foram inúmeras canções cantadas uma única vez, que falava daquele momento em especial ou do sentimento que nos envolvia.
      Descobri que mesmo muito pequeno ele já dominava várias letras e mais ainda a melodia destas músicas. Achei sensacional, surpreendente, encantador.
      A música é a expressão mais remotamente usada pelos humanos para se comunicar com os deuses. E isto não é pouca coisa, ou algo que pode nos passar despercebido. Esta linguagem transmite além dos códigos de palavras, a nossa capacidade básica de sentir, nos leva por caminhos mágicos onde o racional não pode nos levar.
      A música é emoção, é declaração, é algo que toda mamãe deve proporcionar ao seu filho. E não se preocupe com afinação quando cantares, certamente ele entenderá e sentirá o principal.
      Eventualmente meu Ari Bernardo ainda hoje me pede para cantar antes de dormir... Sinto-me uma diva das óperas italianas. Recomendo!!!


quinta-feira, 12 de junho de 2014

Dúvidas de mãe...

      Um certo dia você sai com o seu filho e quando está no meio do shopping, ele pede para comprar um brinquedo e você diz: "hoje a mamãe não tem dinheiro para  comprar o brinquedo", e começa aquela cena inesquecível: ele se joga no chão, esperneia, chorar alto, chamando a atenção até do Papa... E ainda por cima, as pessoas te olham "atravessado", como se você fosse a pior pessoa do mundo e pensam: "que mal tem em dar aquele brinquedinho para ele, tadinho..." 



Nesse momento você se sente a pior pessoa do mundo, vem a vergonha, a vontade de sumir... Mas calma, até o filho do Príncipe Charles tem ataques de birra e manha...






Aí vem as perguntas, onde foi que eu errei? O que eu devo fazer?  Meu filho é assim mesmo... Sempre faz isso... PÁRA! SEM CONFORMISMO, você PODE MUDAR essa situação.

Primeiro de tudo devemos pensar em nossa família como sendo o centro de tudo, de nossas ocupações, de nossos deveres, de valores morais intelectuais... A educação de nossos filhos hoje em dia são delegadas à escola, os pais acham que os professores  devem educar seus filhos... A escola é uma extensão da casa sim, mas a educação vem de casa, o exemplo vem de casa, o comportamento da criança reflete o clima vivenciado em sua própria casa. 



Quando uma criança mostra desvios de comportamento, de conduta, ou de socialização, a primeira coisa que deve ser feita é conversar com os pais. Entender o mundo da criança, o momento pelo qual está passando, o que está sentindo pode nos ajudar a detectar o porque da mudança de comportamento.

A criança necessita de uma rotina diária, de combinados, de regras, por fim, de limites. Dessa forma ela se sentirá mais segura para lidar com as questões afetivo-emocionais e com os relacionamentos no dia a dia na família ou na escola. 

Os problemas de comportamento são adquiridos pelas crianças pela forma como elas vivem, com a falta de limites e de regras bem claras e precisas. 

Os combinados costumam funcionar muito bem com as crianças. Elas precisam de uma certa antecipação do que vai acontecer, para não ficarem inseguras e criarem uma cena daquelas. 

Experimente, por exemplo, antes de ir ao shopping e dizer: "querido, mamãe vai ao shopping comprar tal coisa, e hoje não iremos trazer brinquedos, ok?  Por mais que ele esqueça, e ao passar pela vitrine da loja ele peça para comprar, basta você lembra-lo do combinado, e lembrar de manter o não até o fim. Ele até pode chorar, espernear, se jogar no chão, mas diante de sua postura firme de manter o NÃO, com o tempo ele irá aprender que não precisará fazer ceninhas para conseguir o que quer. 

Passei por uma situação dessa recentemente... eu filho queria brincar com água, já era 23:30h, e muito frio... Me abaixei na sua altura, olhei em seus olhos e disse firmemente:que não  iria brincar com água, pois estava muito frio e já estava na hora de dormir (aliás, passou muito da hora de dormir...). Ele chorou, berrou, esperneou e eu mantive minha postura... "Mas mãe, eu só queria brincar com água...". Sim, na cabecinha dele era só isso, mas eu não podia permitir que isso acontecesse... Meu marido quis dizer assim: vamos tomar banho, você brinca com a água no chuveiro e  eu disse: hoje não tem brincadeira com água, vamos tomar banho e dormir. O meu coração doía, de ver aquela carinha linda com olhos inchados de chorar, por estar sentido comigo, de vir me pedir tantas vezes para "só brincar com água"... mas mantive firme minha palavra, sem compensações. O brincar no chuveiro estaria autorizando a fazer o que eu havia negado... temos que tomar cuidado com as compensações. Por fim, ele entendeu que o NÃO ERA NÃO, e isso com certeza o ajudará a enfrentar as situações mais adversas que a vida lá fora irá oferecer a ele no futuro (frustrações).

Uma saída para as crises de birra e manha, é utilizar o lúdico, o imaginário da criança. Mantendo firmemente o não, você pode sugerir a ela fazer outra atividade, e distraí-la. Desviar sua atenção, mas sem dar o que ela inicialmente queria e você negou. Isso funciona! 

Como sugestão, temos alguns livros que nos ajudam a entender um pouco mais as crianças e como podemos ajudá-las e nos ajudar também.




Livro sensacional, que fala sobre o equilíbrio entre a permissividade e o limite, de uma forma antes não lida, o livro Crianças Francesas não fazem manha podem contribuir muito para ajudar você a elaborar pensamentos a respeito do tema.




Acabei de comprar esse, ainda não li, mas logo logo conto mais sobre ele!


 
Uma forma inteligente e humana de se colocar limites 
sem que os pequenos fiquem traumatizados, ótima leitura.




 Livro muito dinâmico, mostra a situação, o lado da criança, 
o que pensam os pais, a opinião do psicólogo e sugestões do que devemos e não devemos fazer.



 Através de casos verídicos, Deborah Carrol consegue exemplificar situações do dia a dia, que achamos estar presente apenas em nossas casas.



Para você ficar com o coração aliviado...




Mãe é mãe...
Mãe também sofre...
Mãe tem coração de ouro...
Mas seu filho irá agradecer um dia por você ter feito isso com ele!!!

Um beijo bem gostoso e um abraço apertado!!!

Dani Marcelino

bydanimarcelino@hotmail.com

Deixe suas dúvidas e perguntas em nossos comentários!!


domingo, 8 de junho de 2014

Ontem e Hoje

      Decidi mudar de casa e esta semana encontrei o que procurava. Quando fui levar o Ari Bernardo à escolinha no outro dia contei a novidade.
- E adivinha pé de que tem lá? – Perguntei.
- Não sei – ele respondeu.
- Pé de chuchu.
- Igual a mim, mamãe? (Ele riu, pois é uma das denominações que dou a ele).
- Sim, só que é de comer. E sabe o que mais? Tem um pé de maracujá.
- Huumm. Não tem de pitanga?
- Não, não tem pitanga. – Fiquei pensando de onde ele tirara a idéia, e meio decepcionada repeti pra mim mesma – não tem pitanga.
      Vocês não vão acreditar. As 14h deste mesmo dia iniciei meu programa na rádio e em homenagem ao dia do meio ambiente entrevistei duas autoridades de Baln. Arroio do Silva, organizadores de eventos comemorativos ao dia. Eles me trouxeram um presente... Adivinhem o que eles me trouxeram?
      Um pé de pitanga.

****************

      Esta noite acordei para trocar a fralda noturna do Ari Bernardo (sim, ele ainda faz xixi na cama aos 4 anos... alguém tem solução?)
      Bem, o fato é que enquanto o trocava me veio à mente quando eu brincava de bebezão, lembram dos bebezões? A mamãe comprou um menino e uma menina para minha irmã e para mim, mas nenhuma de nós queria a menina. Hoje é interessante lembrar que ambas tivemos filhos homens. (ah, na época eu fiquei com a menina, porque era a mais velha e tinha que entender e blábláblá.)
      Bem, lembrei da sensação da brincadeira, do cuidado, do carinho com aquele ser de plástico e tecido. Não sei se somos mães porque brincamos de boneca quando pequenas, ou se brincamos de bonecas porque somos mães.
      Olhando meu bebezão de carne, ossos e outras substâncias invisíveis aos olhos, vi que dormia totalmente certo de que eu sabia o que estava fazendo. Seguro do meu carinho, amor e responsabilidade, certo de que eu seria incapaz de fazer-lhe mal. E eu com mais certeza ainda disto tudo. Olhei pra ele e senti as 999 trilhões de vezes que o amava a mais do que meu bebezão da infância. Não pude deixar de viajar naquele sentimento me permitindo voltar aos meus 10 ou 11 anos (no meu tempo a gente brincava nesta idade) e olhar pro meu bebezão real.
      Nossa, é muito forte. Ri sozinha e confesso que atrapalhei o soninho dele dando dezenas de beijinhos.
      Ao acordar hoje pela manhã ele me abraçou e disse:
      - Mamãe, vamos acordar?
      - Sim, meu amor!
      - Mamãe...
      - Fala, meu pintinho (ele tem mais umas 648 denominações).
      - Eu te amo. – ele me disse.
      Adorava meu bebezão e ele nunca me disse nada... imagina o que sinto por este.
     



quinta-feira, 22 de maio de 2014

O PRIMEIRO ANIVERSÁRIO

        Convite do aniversário! 


            Faltavam uns três meses para o primeiro aniversário do Ari Bernardo quando me dei conta da festa. Mesmo assim me enrolei toda.
            Qual a decoração? Compro tudo e faço? Alugo tudo e não faço nada? Muita gente? Só os íntimos?
            Arff!!! Perdi um mês sem decidir nada e aí começaram as especulações. Então comecei como todo mundo, decidido por algo simples, sem muito alarde.
            Comecei convidando a família. Entretanto, descobri que aí já dava um bom número, porque tem aquela historia: Como vou convidar Fulano e não Cicrano? Beltrana nunca mais me olha na cara.
            Bem, se puxei um siri e veio mais, vou ficar com a penca - pensei. E aí fui para os amigos. Subdividi: os nossos antigos, os nossos atuais, os colegas de trabalho, os vizinhos, os amigos dos avós e... Céus, uma festa só de adultos. O aniversariante não em vida social, portanto um pingo de amigos.
            Para tudo, tem que ter criança e a empresa de decoração não fornece esta parte. Então fui atrás de pimpolhos prá alegrar as fotos. Coleguinhas, amigos de parquinho...
            Decoração do Backyardgans, que ele amava (ama). Doces, salgados e bolo contratados. Salão alugado. O problema é que o salão era grande, digo, bem grandinho, digo, grande mesmo! E aí vocês sabem, né? Como é que vou fazer algo pequeno num lugar enorme? (tá, era enorme). Tinha que... bem, preencher os espaços e aí tratei de conseguir o intento.
            Convidamos TODOS de TODAS as listas, sem exceção. Vai que falta a metade?
            Escolhi a roupa, enviei os convites, contratei fotógrafo, recreação, bebidas, garçons, banda... Fiquei nervosa, fiquei feliz, ansiosa, exultante e depois tudo de novo por mais umas 38 vezes até o dia.
            Então peguei a maior gripe da (minha) história. Um dia antes eu estava afônica, tremia de frio e surda como uma samambaia. Mesmo assim cheguei a conclusão de que ia faltar comida... Vai que vêm todos? Comprei ingredientes e pus a mão na massa, fazendo mais um quilhão de docinhos.
            Tudo isso e nada de cansaço. Estava embevecida com a ocasião: o primeiro aniversário de meu primeiro filho, primeiro neto de um lado, primeiro sobrinho por outro e primeiro afilhado de ambos os lados.
            O dia chegou e os convidados também. E eles compareceram na marca de 98,12%... Aproximadamente. Foi um sucesso!!!
            O Ari Bernardo ganhou tanto presente que enchemos três carros lotados até a boca. Foram mais de duas horas abrindo, rindo e se emocionando. Pena que ele não curtiu aquele momento, estava dormindo, claro. Mas há alguns meses ele tirou os últimos brinquedos embalados ainda do aniversário... E ele já tem quatro anos!
            Mas no meio da festa, claro, que tinha o discurso... Decidi não falar (algo inédito), o pai dele falou. Pela primeira (e talvez única) vez na minha vida fiquei sem palavras. Claro que eu ter perdido meus pais e não tê-los ali conosco era bastante forte pra mim e eu sabia que o discurso viraria numa choradeira se eu falasse. Então decidi só ouvir, ver, viver, agradecer, sentir aqueles instantes inesquecíveis. Não me arrependi de ter convidado centenas de pessoas, deu trabalho, mas pelo numero de presença constatei que muitos nos amavam e compartilhavam a alegria de comemorar a vida de meu grande amor.
            Tudo funcionou, tudo foi lindo!

            Quando deitei o cansaço veio e não sentia mais meu corpo, então o doei à minha cama. Mas a alma... Esta flutuava de satisfação.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

A Amamentação e como ela aconteceu para mim e meus filhos

Bebês devem ser amamentados no peito. Pensava assim  mesmo antes de ficar grávida, sempre acreditei nisso. Afinal de contas essa é a recomendação da  OMS – Organização Mundial de Saúde e do Ministério da Saúde. E mais que isso, é coisa da natureza mesmo, todo mamífero amamenta o filho, não entendo o porquê de muita gente querer  fazer diferente.

Quando engravidei, ficava imaginando o momento da amamentação,  sonhando com meu bebezinho grudado em mim recebendo seu alimento e muito amor. Bem do jeitinho que as propagandas sobre amamentação mostram: Uma mamãe linda, feliz e sorridente com um bebê fofo mamando no peito.

Durante a gestação a preparação que fiz para amamentar, se resumiu em seguir as orientações da obstetra: Usar a concha e um creme a partir do sexto mês para  ajudar a corrigir o mamilo. Só muito tempo depois, descobri que  meu mamilo já era formado, não precisaria de nenhuma ajuda, maaas como foi  prescrito pela médica que eu confiava, usei.  Perto do meu bebê nascer, a médica apertava delicadamente (SQN) meu mamilo e já saia o colostro, eu ficava feliz da vida, acreditando que tudo seria lindo. Via as campanhas em favor da amamentação e não imaginava que junto com todas as vantagens para o bebê e para a mãe, ela também traria alguns desgostos.

Pois bem, Pedro nascido, na maternidade quando fui amamentá-lo pela primeira vez, morrendo de medo do leite não descer por ter feito cesariana [assunto para outro post], foi só alegria, meu o garoto abocanhou e mamou pra valer, e assim foi até ele completar dois anos. Me sentia extremamente grata,  pois meu leite era farto, muito farto.

Mas, acontece que  esse período não foi só felicidade,  na verdade foi bem sofrido. Primeiro que o puerpério já é um período “punk”, ficamos mais frágeis e sensíveis. Depois  por sentir muita dor no mamilo, muita mesmo. Cada vez que eu ia por o Pedro pra mamar, já me tremia de medo da dor, meus mamilos ficaram com fissuras mega doloridas, pra ajudar o bichinho dormia bem à noite (sonho de todas as mães e eu torcendo pra ele acordar) demorava pra mamar, os peitos enchiam e empedravam, tinha que usar a bomba extratora que machucava ainda mais o mamilo. Continuei usando as benditas conchinhas pra coletar o leite que ficava vazando, jurando que elas ajudavam. Sofrido. E foi assim por quase três meses.
Hoje me pergunto, porque diabos eu naquela época não busquei mais informações sobre amamentação? Não dei um simples Google? Me limitei as orientações gerais da obstetra, fixei  na  foto da Claudia Leite na campanha em favor da amamentação e isso me bastou.

Mesmo assim, nunca me passou pela cabeça alimentar meu filho de outro jeito, ele recebeu leite materno exclusivo por seis meses em livre demanda e continuou mamando até os dois anos, desmamado de forma gradual. Passado o sofrimento inicial, nossa história de amamentação foi linda.


Agora é a vez da Laura, e quem a amamenta  é uma mãe mais informada e preparada. Joguei as conchas fora, adotei os absorventes diários e estamos vivendo esse período inicial muito mais prazeroso. Claro que nos primeiros dias também sofri com algumas fissuras e empedramento, mas por menos tempo. Hoje perto dos três meses dela, digo que ainda estamos em lua de leite e pretendo que assim vá por tanto tempo quanto o irmão.



Considero a amamentação uma das melhores partes da maternidade. Ver os olhinhos dos meus filhos me olhando fixamente enquanto mamam, sentir sua pequenina mão me acarinhando, sua cabecinha suando em contato com a pele do meu braço, ah tudo isso é a maior definição do amor.
E sim, eu e meus filhos  fomos agraciados com todas as vantagens que a amamentação proporciona, não é propaganda enganosa. Os  benefícios são inúmeros, e para que as grande maioria das mulheres possam vivenciar  o aleitamento materno de uma forma prazerosa, precisam de muita informação, disposição e paciência para lidar com os possíveis problemas, superar a fase inicial  e não desistir.  Sei que muitas mãe interromperam a amamentação ou lançaram mão de complemento de leite artificial justamente por desconhecimento do assunto, ou por influências de terceiros e acabaram se sentindo incapazes de alimentarem seus filhos com o próprio leite. Existem aquelas que não insistiram por estarem desmotivadas mesmo, e aquelas que simplesmente optaram por não amamentar . Todas tem meu respeito, afinal cada uma tem sua própria história e seus próprios motivos.


Algumas vantagens do aleitamento materno:



Informações mais completas e precisas sobre o aleitamento materno você encontra aqui, uma cartilha elaborada pelo Ministério da Saúde.

Amo amamentar essa é a verdade. Fui agraciada por ter bastante leite, meus filhos pegarem o peito de primeira, ter bastante paciência, apoio para não desanimar e saber que o resultado de tudo isso é vê-los crescendo bem nutridos e saudáveis.

Franciele


terça-feira, 13 de maio de 2014

Como me tornei mãe



       Estava eu, um dia em casa, com meu cachorrinho Romer,um schanauzer lindo,  marido trabalhando, em um tempo ocioso e percebi que faltava alguma coisa em minha vida...

       Um vazio, uma falta sem explicação, uma sensação de necessidade de preenchimento...




E pensei: "Está na hora de ter um filho, para completar nossas vidas".


     Passado algum tempo, muito empolgada, chamei meu marido e conversei com ele sobre a possibilidade de termos um bebê, e que eu gostaria de ter o primeiro antes dos 30 anos. Ele logo concordou, fiquei surpresa e super feliz. Disse a ele que eu iria parar de tomar a pílula anticoncepcional.


 Eu estava tão radiante, tão feliz!!!


     Após uma semana, meu marido vai procurar algo na minha gaveta de cabeceira, e checa o meu anticoncepcional e me pergunta: parou de tomar mesmo? E eu disse: Sim, eu estava falando sério!!!



     Pouco mais de um mês, na próxima menstruação, houve um pequeno atraso... Como eu havia parado de tomar a pílula, não dei muita atenção para esse atraso... Mas pude verificar que eu me sentia diferente, que a região abdominal tinha um volume especial, que não era inchaço, que não era gases nem muito menos um desconforto abdominal...  Mas eu já me sentia diferente... Como a maioria das teorias revelam que a primeira alteração é mamária, que os seios ficam inchados, como primeiro sinal de gestação, os meus encontravam-se normais, um pouco doloridos... Tudo dentro do normal para quem estava com a menstruação um pouco atrasada...


     Chamei uma colega de trabalho em um cantinho e confessei a ela que estava desconfiada da gravidez. Um misto de medo, insegurança e ansiedade me invadiram... No dia seguinte resolvi passar no laboratório e fazer um beta-HCG, exame de sangue para saber se estava grávida ou não. Não falei nada para meu marido... O resultado do exame era de urgência, mas demorou uma eternidade... Coletei às 7 da manhã e ficaria pronto o resultado on-line às 16h.



     O trabalho não rendeu muito, ficava pensando no resultado do exame... Até que o resultado foi liberado!!!  Fiquei confusa diante daquele resultado, pois continha apenas as quantidades de hormônio, mas não dizia: POSITIVO OU NEGATIVO. Pesquisei algumas páginas na internet, que me deixaram mais confusa ainda... Precisei da ajuda do marido, que médico, poderia me ajudar a dar uma resposta para nossa angústia!! 



Depois de longa meia hora de espera, ele me retorna com um e-mail respondendo:






     
     O meu chão sumiu, meu coração acelerou, as bochechas ardiam de calor, eu não sabia o que fazer com tanta emoção!!! Mesmo sem ar, saí desnorteada e fui falar com a minha amiga sobre o resultado do meu exame.



 Eu não cabia em mim tamanha felicidade!! 



     Curti essa gestação ao máximo, todos os momentos, todas as leituras, todas as literaturas, todas as emoções de ser mãe pela primeira vez, as primeiras roupinhas,  as ultra-sonografias... Devorei tudo sobre cuidados com crianças, cursos de gestação, e...



 Curti, minuto a minuto até a chegada da minha

 linda  Lelezinha, que é melhor filha desse mundo!!!!!




Um beijo bem gostoso e um abraço bem apertado!

Dani Marcelino
bydanimarcelino@hotmail.com

Fotos ilustrativas


sábado, 10 de maio de 2014

Feliz dia das mães

Ser mãe é descobrir que sua vida tem menos valor depois que chega o bebê. Que se deseja sacrificar a vida para poupar a do filho, mas ao mesmo tempo deseja viver mais, não para realizar os seus sonhos, mas para ver a criança realizar os dela.
Ser mãe é tão difícil descrever que extrapola qualquer sentimento descrito em palavras, só quem é mãe consegue entender o significado de se-lo. Mãe 24 horas, mãe de plantão....
Ser mãe é ter um pedaço de si, fora de si mesmo.
Quando você é mãe, você nunca está realmente sozinha em seus pensamentos. Uma mãe sempre tem que pensar duas vezes, uma por ela mesma, e outra por seu filho.
Ser mãe é a maior responsabilidade que podemos ter.
Neste momento especial quero homenagear as mães que fazem parte desse blog, que ajudam a transformar sentimentos de mãe em palavras e dedicam seu tempo com amor para passar ensinamentos de mãe.



Dani Marcelino, Letícia e Rafael

Gabriela Burigo, Helena, Isabela e Carolina

Karem Suyan e Ari Bernardo

Fernanda Pereira esperando João

Franciele Alves Rodrigues, Laura e Pedro

Aline Manfro esperando Clara e Cecília

A todas um maravilhoso dia!!!
Beijos 
Michele Valeska


quinta-feira, 8 de maio de 2014

MINHA GESTAÇÃO DE TRÊS ANOS.

Minha gestação a espera do Ari Bernardo foi atípica. Primeiro porque durou três anos - O que? tu és um tipo elefanta, Karem?
Não, claro que não. Mas engravidei no dia em que saímos do Fórum com os papeis para a adoção. Nos primeiros meses esperei pelo meu bebê impacientemente, mas depois das 40 semanas entendi que seria num tempo fora do entendimento comum.
No terceiro ano eu desisti. E por vários motivos: por causa da angústia da demora, por certa raiva ao ver na mídia instituições abarrotadas de crianças precisando do calor de uma família e eu ali cheia de amor para dar sem nenhum dos lados poder fazer nada além de esperar.
Acontece que amor é igual água, se não flui apodrece, chama insetos, larvas, podridão, limo, doenças... E por fim seca! E meu amor materno estava assim, estagnado e me matando.
Então decidi que não era disso que queria morrer, que tinha muitas outras coisas para fazer e conquistar e sabia que para isso tinha que dar um passo importante: tinha que parar de esperar, de me importar, de me direcionar ao objetivo de ser mãe. Elaborei o plano e segui em frente, anunciei aos demais interessados que filhos não eram mais parte da minha vida, então... Cinco dias depois recebi um telefonema no final da tarde.
Já notaram quão é irritante e maravilhoso não termos domínio do que realmente importa? Quero dizer, a roupa, o penteado, o carro ou o alimento a gente escolhe... Mas o essencial vem quando e como quer.
Bem, sentei para não desmaiar, levei um tempo para entender que a moça estava falando do meu filho. Sim, era menino, tinha dois meses e era só o que eu pude saber por esta “ultrassonografia” as avessas. Não pude dar a resposta, precisa conversar com meu marido. Foram horas de espera até ele chegar. Claro que não dormimos naquela noite de medo, de ansiedade, de alegria, de “jfschmrvrleilcjuewymmvncox”... Assim mesmo, indecifrável.
Então decidimos aceitar o destino e meus planos de mudar o foco da vida tiveram morte instantânea no momento que começamos a pensar no nome (história que já contei aqui).

 No outro dia fui à loja de artigos infantis, lívida, nas nuvens, chocada, tonta ao sentir o amor voltar a seguir seu curso dentro de mim, levando vida, vida, vida!
- Oi, quero um enxoval básico para bebê.
- Menino ou menina?
- Menino (céus).
- Idade?
- Aproximadamente dois meses.
- É grande?
- É gigantesco, pensei – Não sei, falei.
- É presente?
 Comecei a chorar.
- É meu filho, estou indo buscá-lo.
 Fiz as compras chorando, com a loja inteira emocionada.

Na gestação comum podemos fazer o enxoval com calma, preparar o quarto, o trabalho e a cabeça para a chegada do bebê. Na adoção não há nada disso, ao mesmo tempo em que durou três anos, também durou somente algumas horas entre saber que seria mãe e ser efetivamente.
Mas tem algumas coisas que não mudam: eles vêm com o sexo, traços físicos, defeitos e virtudes que a natureza quiser. Eles serão bons ou maus filhos/amigos se quiserem e a gente vai amá-los profundamente como jamais amamos antes.
Eu não estava na maternidade, nem deitada e ele não estava chorando quando o ganhei.  Eu estava de pé, embora meus joelhos quisessem me trair, estava em um Fórum e ele estava dormindo. E por aí acabaram as diferenças do momento que tive meu filho nos braços pela primeira vez.
O mundo explodiu. Tive um forte ataque de medo e força. Peguei-o e ele, mesmo dormindo, sorriu pra mim.
Não há nada que possa vir a acontecer entre nós que seja mais forte do que aquele sorriso espontâneo, inconsciente e pontual. Estava claro... Ele também esperou por aquele momento e nosso encontro formou uma correnteza indissolúvel de amor.
Algumas pessoas me perguntam se eu não tinha ou tenho medo de não saber de onde ele veio. Não, jamais. Tive e tenho medo de falhar, de não ser boa o suficiente, de não saber guiá-lo, de faltar em algum momento... Coisas de mãe. Mas medo de não saber de onde ele veio nunca tive. Não houve, não há e não haverá na história da raça humana uma mãe que saiba de onde seu filho veio antes de nascer.
Preciso aqui fazer uma importante observação. Gostaria que as pessoas jamais julgassem uma mulher que abandona, que entrega, ou que perde seu filho na justiça. Todas levaram a gestação a termo e de alguma maneira acreditaram que eles pudessem viver, apesar e além das condições delas. Agradeço a hospedeira de meu filho, sem ela eu não seria mãe. E desejo que onde quer que esteja encontre paz no coração, que de alguma maneira tenha a certeza acalentadora de que aquele bebê não era seu, ele era meu. E ele está muito, muito feliz.
E por fim, obrigada meu filho por me adotar. Te amo mais que tudo, do “tamanho do universo vezes o infinito”... Asim ó: beeeemmmm grandão!!!

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Nenhum amor verdadeiro atrapalha

          A primeira palavra inteligível do Ari Bernardo foi... “mamã”, claro!
          A segunda “papa”, a terceira “Bill”, a quarta Chacho (história que já contei na publicação anterior).
            O "Bill” era o Billy, que já era meu cão/filho antes do Ari Bernardo chegar. Ele dormia conosco, almoçava conosco, viajava conosco, enfim, sempre grudado. Um dogstreet que adotamos após o encontrarmos atropelado.

            Fiquei curiosa com a reação que o Billy teria com a chegada do bebê. Ele começou cheirando, que é o que os cãezinhos fazem para reconhecer as pessoas. No início ele passava muito tempo olhando pro Chacho e um dia o encontramos dormindo no berçinho. Ele insistiu muito nisso, mas acabou aprendendo que o lugar dele não era ali.

            A fase seguinte foi uma mistura de reações. Quando o Chacho tinha aqueles ataques de choro o Billy sumia, tipo assim “Isso  não tem nada a ver comigo”, aos mesmo tempo que passou a proteger o “filhote”. As pessoas vinham visitar o Ari Bernardo e jamais conseguiam chegar perto do berço ou do bebê se eu não estivesse junto para permitir. Ele chegou a avançar, sem machucar, até mesmo em minha sogra. Movimentos bruscos, ou vozes alteradas de estranhos com o bebê o faziam se aproximar, e de orelhas em pé, observar a situação.

            Alguns diziam que ele estava ficando bravo, que era um perigo. Mas eu sabia que não, sabia que ele tinha absorvido, aceito e se afeiçoado ao bebê. Muitas vezes ele ficava no quarto enquanto o Ari Bernardo dormia, ao invés de ficar onde eu estivesse. Também me avisava quando o bebê chorava.

        Desde o primeiro momento de compreensão, o Ari Bernardo também gostou dele. Chamava o “Bill”, ria com ele, brincavam juntos, dormiam juntos. Hoje, passados quatro anos, eles são amigos, irmãos. 


                                            Lado a lado, Billy e Ari Bernardo.


          Claro que o Billy perdeu uns privilégios comigo, mas o Ari Bernardo ganhou alguém para exercitar sua responsabilidade e amor. Ele faz questão de alimentá-lo e repassa ao Billy conselhos importantes:
            - Billy, não pode brigar com teus amiguinhos;
            - Billy, não pode deixar comida no prato;
            - Billy, tem que tomar banho, sim;
            - Billy, não precisa ter medo de trovoadas e raios, são só as nuvens se encontrando para fazer chuva.

          Claro, que às vezes pego ele examinando o cãozinho/irmão. Remexe nas orelhas, procura a “pingola” e quer ver todos os dentes... E o Billy ali, paciente como nunca foi com ninguém.

            Num prognóstico dentro da normalidade, o Billy tem pela frente de quatro a seis anos a mais de vida. E para o Chacho a oportunidade de conviver com um tipo raro de amor, o puro, sincero e despretensioso, até por volta de seus dez anos.


            Não tenho dúvida alguma do benefício de ambos com esta convivência. Se você tem um filho canino, não abra mão de mantê-lo junto com a criação de seu bebê, isto enriquecerá diariamente a vida de sua família. Tenha certeza disto.